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Assine o Feed desse BlogGeneral golpeou o presidente para salvar a democracia. Pode? Leia mais
Juscelino Kubitschek e Oscar Niemeyer
Quem desconhece a história corre o sério risco de repetir suas tragédias ou farsas, como já dizia Marx. Vamos a algumas reflexões.
Vargas, depois de sofrer furiosos ataques - "corrupção", "mar de lama" etc - conseguiu impedir em 1954 que a direita voltasse a controlar (como sempre) o poder no Brasil. Mas isso lhe custou a vida e garantiu ao País apenas dez anos de uma democracia a meio-pau, fortemente abalada pelo golpismo.
Juscelino Kubitschek enfrentou imensas dificuldades para conseguir se eleger. Aliás, até para ser candidato foi difícil, pois era boicotado mesmo dentro de seu partido (PSD). E só conseguiu vencer a eleição porque no momento decisivo o PCB, percebendo que os golpistas identificaram em JK seu adversário principal, desequilibrou o pleito apoiando-o de forma conclusiva.
Mesmo impedido de funcionar legalmente, o PCB denunciou as manobras golpistas que pretendiam ou evitar a eleição semidemocrática ou impor uma candidatura única da direita.
Acusações ridículas
A campanha eleitoral de 1955 foi sistematicamente conturbada pelos golpistas, que conspiravam ativamente contra o direito do povo ao voto e ao resultado de seu exercício. Quando JK venceu a eleição, de turno único, veio a próxima agressão dos golpistas: tentar a todo custo evitar que o presidente eleito tomasse posse.
Em nome da "crise política", pregavam aberta e descaradamente que o presidente não devia assumir o mandato. Um dos elementos que bloqueou a ação golpista foi o Movimento Militar Constitucionalista, que defendia o cumprimento da lei. Lógico: se o povo elegeu, o eleito deve tomar posse e governar.
Nesse olho de furacão, JK assumiu, mas passou a ser atacado a todo instante pelos golpistas. A primeira acusação era simplesmente ridícula: JK não podia assumir porque teve apenas um terço dos votos. Na época, a legislação eleitoral permitia várias candidaturas e limitava a escolha ao turno único.
A causa do rancor
O grande rancor dos golpistas contra JK, porém, desde a campanha eleitoral, antes da posse, logo após a posse e durante todos os seus anos de governo, foi sempre o apoio do PCB, que desequilibrou o pleito e garantiu a vitória.
O PCB foi proibido de funcionar como partido, mas seus simpatizantes não podiam ter surrupiado o direito de escolher um lado (mesmo o lado pequeno-burguês de JK) e votar, como cidadãos.
JK, de fato, nem teria assumido se não prevalecesse a tradição legalista da parte sadia da elite nacional, até onde ela pode ser sadia. Nesse caso, ocorreu um paradoxo: o ministro da Guerra, general Henrique Teixeira Lott, golpeou o presidente em exercício, Carlos Luz, para garantir as condições necessárias à posse dos eleitos. Foi necessário, portanto, um "contragolpe preventivo" para garantir a posse.
"Rei do Brasil"
Depois vieram mais tentativas golpistas, rebeliões e um massacre de denúncias, algumas até procedentes, e calúnias quase diárias. Mas o presidente resistiu, negando-se a renunciar e se apoiando no povo para não ser deposto.
A duríssimas penas, enfrentando os golpistas a cada dia de seu mandato, JK conseguiu completá-lo. O rato que a montanha golpista pariu com suas denúncias e rebeliões diárias foi eleger um instável Jânio Quadros moralista/populista. Mas o povo também elegeu o progressista João Goulart para a vice-presidência.
Quando Jânio golpeou a si mesmo com a renúncia, acreditando que os golpistas não permitiriam a posse do vice-presidente "comunista" e ele voltaria como ditador e "rei do Brasil", o sentimento legalista da grande maioria do povo brasileiro assegurou a posse de Jango, que em seguida viria a sofrer dois golpes (um parlamentar, outro armado) até ser arrancado do poder.
Hoje não há mais "necessidade" de golpes. As eleições estão sob controle. Os neoliberais PT e PSDB, cada qual com seus satelitezinhos, vão encaminhando o Brasil à fórmula primeiro-mundista da alternância no poder entre republicanos e democratas, trabalhistas e conservadores, blancos e colorados, luzias e saquaremas - bem-vindos, novamente, ao Império!
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397 dias 16 horas 52 minutos atrás
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abraço